7 - Novas Crises no Irã escalam em 2025 e 2026

1 - Intróito.

Irã, descendentes dos antigos Persas, que já imperaram sobre o Mundo, hoje sofrem Crises colapsantes:  povo está exausto!

Com restrições críticas a água, comida, medicamentos, com a internet cortada, população sofre genocídio da autocracia totalitária sanguinária no Irã, mas luta em protestos por liberdade e democracia.

Mais de 100 anos de restrições de direitos e liberdades individuais no Irã.

  • 47 anos de ditadura autocrática e sanguinária, sem liberdade social, privada ou política.
  • 54 anos de ditadura monárquica, onde pelo menos existia liberdade social e privada, embora sem qualquer liberdade política.
A população espera também por ajuda externa e luta para derrubar o Regime Ditatorial e abrir um caminho para que no futuro seja possível uma transição para democracia e melhor progresso social.


2 - Histórico de Protestos.

Os protestos no Irã são cíclicos e têm se tornado cada vez mais frequentes e violentos à medida que a insatisfação econômica se mistura com a sede por liberdade social.

Aqui estão os marcos principais dos "outros" protestos antes da situação atual:

  • 2022: Movimento "Mulher, Vida, Liberdade" (Setembro): O maior e mais profundo desafio ao regime desde a Revolução de 1979. Começou após a morte de Mahsa Amini sob custódia da Polícia da Moralidade. Pela primeira vez, os protestos focaram diretamente na derrubada do sistema teocrático e nos direitos das mulheres.

  • 2021: Protestos da Água (Julho): Iniciados na província do Khuzestan devido à seca severa e má gestão hídrica. O grito era por "água e vida", mas logo se transformou em críticas ao governo central.

  • 2019: "Novembro Sangrento" (Aban-e Khonin): Começaram devido ao aumento súbito de 200% no preço dos combustíveis. Foi a repressão mais letal da história da República Islâmica, com estimativas de que o regime matou entre 300 e 1.500 pessoas em apenas poucos dias durante um apagão total da internet.

  • 2017-2018: Protestos Econômicos: Começaram em Mashhad devido à alta dos preços de alimentos e falência de instituições financeiras. Espalharam-se rapidamente pelo país, unindo pautas econômicas a slogans políticos contra o Líder Supremo.

  • 2009: Movimento Verde: Ocorreu após as suspeitas de fraude na eleição presidencial de Mahmoud Ahmadinejad. Foi um movimento massivo da classe média urbana sob o lema "Onde está o meu voto?". Diferente dos protestos recentes, esse ainda tentava reformar o sistema por dentro.

Daria para dizer que, desde 2017, o Irã entrou em um estado de protesto permanente, onde qualquer faísca (seja o preço do pão ou o uso do véu) acende uma revolta contra a estrutura do regime.

3 - Os Protestos Atuais.

Considerando o cenário atual em janeiro de 2026, os protestos que estão em curso ou mais recentes na memória coletiva são um desdobramento direto de uma nova onda de insatisfação que ganhou força no final de 2025.

Embora o movimento "Mulher, Vida, Liberdade" de 2022 tenha mudado a mentalidade do país, esta nova fase de manifestações começou a se intensificar especificamente por volta de outubro e novembro de 2025, impulsionada por três fatores imediatos:

1. Crise Energética e Apagões (Inverno de 2025)
2. Execuções Políticas Recentes
3. O "Efeito Acumulado" (Aniversário de Mahsa Amini)

Os Protestos Atuais são fruto dessa escalada iniciada no último trimestre de 2025. Diferente de 2022, que era focado em pautas sociais/feministas, o protesto atual é uma mistura de sobrevivência econômica (fome e frio) com a exigência de mudança de regime.

Com a chegada do inverno, o Irã enfrentou uma crise severa de gás e eletricidade. O governo priorizou a indústria e exportações, deixando cidades inteiras no escuro e sem aquecimento, o que levou as pessoas às ruas sob o lema de que o regime "vende os recursos enquanto o povo congela".

A onda atual foi alimentada por uma série de execuções de prisioneiros políticos e manifestantes detidos em anos anteriores. Cada execução tem servido de faísca para vigílias que se transformam em confrontos com as forças de segurança.

Em setembro de 2025, as celebrações de três anos da morte de Mahsa Amini serviram como um catalisador para reorganizar a oposição interna. O que começou como homenagens silenciosas evoluiu para greves gerais em universidades e no setor comercial (os bazares).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

2 - Escolhas do Brasil em uma encruzilhada: Furacão de Crises Internas e Externas

3 - Satyagraha aplicada no Conflito

4 - Brasil e sua história sem Soberania plena