4 - Brasil e sua história sem Soberania plena
1 - Atual encruzilhada entre a condição de histórica Zona de Influência Americana e o flerte com o Eixo Antiocidental.
Opinar sobre o Brasil no contexto das disputas atuais por poder na geopolítica global pode ser um assunto extremamente polêmico e pode gerar muitos desagrados, por afetar visões de mundo e convicções ideológicas. Mas, nossa motivação nessa Plataforma específica "Ponto de Vista - Breves considerações sobre atualidades na trilha de Satyagraha" é opinativa e provocativa, ensejando estudos e discussões.
A par do ufanismo tupininquim de alguns e da arrogância de alguns de nossos políticos e governantes, o Brasil não tem expressão geopolítica significativa, embora um nobre destino idealizado para o seu horizonte futuro, que precisa ser construído e não virá de milagres ou de salvadores externos, senão de esforço de unidade e desenvolvimento nacional.
O Brasil, depois da Segunda Grande Guerra, sempre foi uma Zona de Influência Americana, na partilha do Mundo entre as superpotências globais, assim como toda Americana Latina e América Central. Mas, na visão de alguns analistas com visão mais reducionista e polarizada, hoje o Brasil flerta com o Eixo Antiocidental, bandeando para o lado da China e da Rússia, e suas contelações de aliados, com regimes mais totalitários e anti-democráticos, que no contexto atual multipolar da geopolítica global disputam com os EUA para o estabelecimento de uma Nova Ordem Mundial de disbribuição de Poder.
2 - A preocupação de um Pai que repreende o filho para que volte para Casa.
Hoje os EUA estão preocupados com a Democracia no Brasil e também a sua rebeldia em estar fazendo a construção de outras alianças.
Os Estados Unidos são como um pai que "repreende o filho e pede que volte para casa, à sombra de sua autoridade e proteção", e "se afaste do que considera más companhias".
A motivação de fundo dos EUA, a par de outros detalhes circunstanciais e ideológicos menores, é a preocupação de perder o certo grau de tutela e de influência que teve sobre o Brasil, que é visto pelos outros atores globais como importante Celeiro, Reserva e Mina do Mundo!
Por isso, o Brasil é estratégico na Ordem de Domínio Mundial.
Hoje, na malha de poder da geopolítica global, o contexto é Multipolar, e não mais Unipolar, na arquitetura de domínio global. E essa multipolaridade é irreversível, dada a diversidade e o poder das superpotências mundiais em um mundo cada vez mais complexo no aspecto relacional e orgânico.
Em caso extremo de um conflito mundial, por exemplo, o posicionamento de aliança do Brasil é de relevância estratégica, e seu apoio ou domínio será disputado a ferro e fogo pela Nação que pretende manter ou assumir a sucessão do Poder Global, como superpotência.
Notas
1) Ufanismo: É uma forma de patriotismo exagerado e irrefletido. Caracteriza-se por uma exaltação excessiva e acrítica da pátria, das suas conquistas e das suas qualidades, sem reconhecer ou admitir os problemas e as fraquezas. O termo é frequentemente usado para descrever o orgulho nacional que beira a presunção, a arrogância ou a cegueira, e é muitas vezes associado a discursos grandiosos sobre um "destino" idealizado.
2) Tupiniquim: O termo "tupiniquim" refere-se originalmente a uma nação indígena que habitava o litoral do Brasil. No uso popular e figurado, a palavra é utilizada para se referir a algo que é tipicamente brasileiro, de forma a expressar uma característica, um comportamento ou uma identidade nacional. No contexto do artigo, "ufanismo tupiniquim" é uma expressão que reforça a ideia de um patriotismo exagerado e especificamente brasileiro.
3) Zona de Influência Americana: O termo "Zona de Influência Americana" refere-se a uma área geográfica, principalmente a América Latina e a América Central, onde os Estados Unidos historicamente exerceram um domínio político, econômico e, em alguns casos, militar. Essa influência se manifestou através de intervenções diretas, apoio a governos alinhados a seus interesses e a imposição de políticas que garantiam o seu poder hegemônico sobre a região, especialmente durante o período da Guerra Fria.
4) Eixo Antiocidental: O termo "Eixo Antiocidental" refere-se a um agrupamento de nações e aliados, como China e Rússia, que se opõem à ordem mundial liderada pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais. Este "eixo" busca desafiar a hegemonia ocidental através de uma cooperação estratégica, seja em questões econômicas, militares ou políticas, para promover uma nova distribuição de poder e influência global. O conceito destaca a polarização crescente e a competição por poder na geopolítica atual.
5) Ordem Mundial: Refere-se à configuração das relações de poder entre os Estados-nação e outros atores globais em um determinado período da história. Ela define quem são as superpotências, como as alianças são formadas, e quais são as regras e instituições que regem a política, a economia e a segurança em escala global.
6) Regimes Totalitários: O totalitarismo é uma forma de governo na qual o Estado, liderado por um partido único, exerce controle absoluto sobre todos os aspectos da vida pública e privada dos cidadãos. Não há limites ao poder do governo, que busca mobilizar a população para uma ideologia oficial e suprime qualquer oposição, utilizando-se frequentemente de propaganda e terror.
7) Regimes Antidemocráticos: São sistemas de governo que negam ou subvertem os princípios fundamentais da democracia, como a soberania popular, a liberdade de expressão, o direito à oposição, a alternância de poder e os direitos civis. Eles podem incluir ditaduras, autocracias e teocracias, e se opõem à participação popular e às instituições democráticas.
8) Unipolaridade: É um sistema de poder global onde uma única nação (a superpotência) domina e exerce influência unilateral sobre as demais, ditando as regras e a ordem mundial. A era pós-Guerra Fria, com a hegemonia dos Estados Unidos, é frequentemente citada como um período de unipolaridade.
9) Multipolaridade: É um sistema de poder global mais distribuído, onde várias nações ou blocos de poder exercem influência significativa e concorrente. Nesse cenário, o poder não está concentrado em um só polo, mas sim em múltiplos, o que leva a um equilíbrio de forças mais complexo e a uma rede mais diversificada de alianças e disputas. O contexto geopolítico atual é visto por muitos como um exemplo de multipolaridade crescente.
10) Nova Ordem Mundial: O termo "Nova Ordem Mundial" é usado para descrever uma reestruturação ou uma transição significativa da configuração de poder global. Ele sugere o fim de uma ordem estabelecida e o surgimento de um novo arranjo, seja ele unipolar (com uma nova superpotência), bipolar (com dois polos de poder) ou multipolar (com vários polos de poder). O conceito é frequentemente usado para se referir à época posterior à Guerra Fria e, mais recentemente, à emergência de novas potências que desafiam a hegemonia de um único país.

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